Na Vanguarda: O Papel da Juventude em uma Sociedade Global em Contínuo
Avanço Uma Declaração da Comunidade Internacional Bahá'í
“Nos jovens do mundo … encontra-se um reservatório de capacidade para transformar a sociedade esperando para ser explorado.”
- A Casa Universal de Justiça, órgão governante mundial da Fé Bahá’í
Nos jovens do mundo encontra-se um vasto reservatório de capacidade para avançar a transformação construtiva da sociedade. A experiência tem demonstrado com consistência que o desejo de trazer mudança positiva e a habilidade de realizar serviço significativo ao bem comum é característico do período da juventude, independente de origem ou circunstância pessoal.
Nos lugares em que esse potencial tem sido reconhecido e condições foram criadas para liberá lo, novos padrões de interação têm começado a surgir entre gerações. Isso tem aberto um espaço para que a juventude possa desempenhar seu legítimo papel ao dar continuidade ao bom trabalho daqueles que vieram antes deles. De forma semelhante, eles têm assumido o serviço vital de acompanhar aqueles que são mais novos a dedicarem suas preciosas energias ao progresso e transformação social.
Falar sobre a "juventude" invoca uma gama de conceitos ora divergentes - um eleitorado a ser engajado, por exemplo, uma área temática a ser abordada, um grupo demográfico a ser quantificado ou até mercantilizado. "Juventude" também refere-se a um período inerente no ciclo de vida humano, distinguido por qualidades e capacidades únicas, por um lado, e oportunidades únicas de moldar o futuro, por outro.
A partir dessa segunda perspectiva, o trabalho em questão não é de afirmar a importância dos jovens acima de outras populações. Mas sim, de aproveitar ao máximo as potencialidades dessa etapa da vida para a melhora de todos. "O objetivo não é necessariamente criar um movimento de juventude," disse um jovem do Brasil. "O objetivo é que os jovens estejam no centro de um movimento de todos."
O reconhecimento das contribuições vitais feitas pelos jovens está crescendo nas Nações Unidas e, mais amplamente, dentro do sistema internacional multilateral de organizações e processos. Isso pode ser reconhecido em pequenas mudanças e também em mudanças estruturais maiores, como o lançamento do Escritório do Enviado da Juventude do Secretário Geral das Nações Unidas em 2013 ou a criação do Escritório da Juventude das Nações Unidas em 2022.
Paralelo a esses avanços, um repensar ainda mais profundo sobre as atitudes e suposições relacionadas ao período da juventude será necessário para que massas ainda maiores da juventude do mundo possam contribuir a sua porção plena em encontrar soluções para os grandes desafios que pressionam a humanidade. Aos jovens e mais velhos, então, surge uma necessidade crítica e uma oportunidade sem paralelo: encarregar-se de uma exploração ampla do papel a ser desempenhado pelos jovens para o avanço e a transformação da sociedade.
COERÊNCIA ENTRE GLOBAL E LOCAL
Aproveitando a juventude a todo nível
"O que a generalidade dos jovens de uma sociedade faz ou não faz molda a maneira como seus elementos são organizados, a maneira como suas comunidades funcionam, o progresso que é capaz de fazer, ou não. De formas muito reais, as futuras possibilidades abertas a qualquer população depende da maneira como seus jovens enxergam o papel de sua geração na sociedade e de quais propósitos moldam suas ações individuais e coletivas."
- Um jovem da Jordânia que apoia o desenvolvimento da juventude em esforços através do Oriente Médio
Apesar de muito serem elogiados como a promessa do futuro, os jovens são também frequentemente apresentados como uma ameaça iminente - fonte de violência, protesto, mal comportamento - ou um potencial problema a ser solucionado. Contradições fundamentais, portanto, surgem em relação à maneira como os jovens são concebidos e ao papel que eles deveriam exercer na sociedade. Tais contradições são prejudiciais aos próprios jovens, mas também às comunidades e instituições que moldam e são moldados por eles.
As Nações Unidas poderiam se beneficiar muito mais das qualidades vitais que os jovens possuem: seu altruísmo e senso agudo de justiça, sua vitalidade e vigor, sua mente flexível e criatividade, seu desejo de contribuir à construção de um mundo melhor. O reconhecimento dessas capacidades existe. Mas o sistema multilateral tende a isolar o engajamento dos jovens dentro de certos assuntos específicos em vez de desafios mais amplos da sociedade; estruturar oportunidades para a participação em maneiras que são mais simbólicas do que concretas; colocar a juventude em situações demandantes sem o treinamento ou o suporte necessário.
Superar esses padrões exigirá mudanças fundamentais da maneira em que a juventude é compreendida, enxergada, tratada, educada, e apoiada - tanto dentro de instituições intergovernamentais, quanto dentro de sociedades e comunidades locais. Uma mudança significativa a nível internacional depende de processos paralelos de transformação a nível local.
A vasta maioria dos mais de um bilhão de jovens realizará suas primeiras e mais imediatas contribuições ao bem comum ao aprimorar as condições em seu ambiente local. É dentro de sua própria vizinhança ou aldeia que a maioria irá adquirir a experiência, capacidade e atitudes sobre os quais esforços subsequentes para moldar a sociedade a nível nacional ou internacional serão baseados.
É de suma importância que líderes e formuladores de políticas nas Nações Unidas desenvolvam uma visão cada vez mais detalhada do papel que a juventude pode exercer em avançar processos robustos de transformação social. Pois é deles a responsabilidade de fomentar um ambiente, através de políticas nacionais e internacionais, que permite que surja tal transformação.
CONSTRUINDO CAPACIDADE EM ESCALA
O engajamento da juventude e um caminho de desenvolvimento orgânico
"A maneira como uma comunidade enxerga os jovens é um reflexo da comunidade em si. Caso a comunidade não tenha uma visão de si, não tenha um senso de direção, então os jovens serão vistos como uma ameaça, uma fonte de crime, e assim por diante. Mas se existe um senso de futuro na comunidade, um senso de direção e progresso, então os jovens são vistos como recursos. Eles são vistos como a energia que irá mobilizar a comunidade em direção ao seu destino."
- Um jovem de Zâmbia, que apoia esforços de ação social focada em jovens na região sul da África
Para conseguir vencer os múltiplos desafios que enfrentam a humanidade - estabelecer relações sustentáveis com a natureza, por exemplo, ou eliminar os extremos de riqueza e pobreza - a comunidade internacional precisa de habilidosos jovens líderes, não na casa das dezenas e dúzias, mas sim de centenas de milhares.
Realizar isso sistematicamente, ano após ano, pede por uma mudança de paradigma - de um focado primariamente no nível do indivíduo a um que trabalha com grupos e comunidades inteiras. De que maneira populações inteiras - e não apenas pequenos números de indivíduos excepcionalmente motivados ou conectados - vêm a funcionar como atores eficazes que moldam o desenvolvimento de suas sociedades? E qual é o papel distinto que a juventude, em conjunto com outras populações, pode exercer?
Essas são perguntas que a comunidade mundial Bahá'í tem explorado através de uma gama de iniciativas a nível da comunidade, alguns dos quais têm gradualmente crescido em escopo e impacto. Um programa para o empoderamento moral de jovens adolescentes, por exemplo, atende a 300.000 jovens em 35.000 grupos a nível de vizinhança ou aldeia, em 180 países. Uma rede de 330 institutos de treinamento nacionais e regionais, dedicados a desenvolver capacidades centrais ao avanço da civilização, tem permitido jovens e adultos a sustentarem
em conjunto várias centenas de milhares de atividades de construção de comunidade em qualquer dado momento. Estes acolhem a participação de aproximadamente dois milhões de seus vizinhos, amigos, familiares, e colegas de trabalho.
Tais números são inegavelmente modestos quando comparados à população total de cidades e nações. Entretanto, locais que têm construído a capacidade de sustentar milhares de atividades de construção de comunidade em uma área geográfica relativamente pequena oferecem uma janela para as possibilidades que surgem quando segmentos crescentes de uma população se levantam em ação coordenada para avançar o bem comum. A voz de jovens e jovens adultos envolvidos nesses esforços são escutados ao longo desse documento.
Esforços que crescem em escala e impacto, particularmente aqueles que se demonstram sustentáveis ao longo do tempo, consistentemente começam como iniciativas menores caracterizadas por certas qualidades. Estas incluem a habilidade dos indivíduos de desenvolver novas capacidades e de aprender, de explicar o significado de seus esforços e inspirar outros a se tornarem apoiadores ativos, de acolher e coordenar níveis crescentes de complexidade. Frequentemente sustentado inicialmente por um grupo nuclear de apenas alguns indivíduos dedicados, tais esforços iniciam em uma escala modesta e crescem conforme a capacidade dentro da população local se desenvolve.
Esse tipo de serviço não é necessariamente glamoroso. Contratempos não são incomuns, e - trabalhando de casa em casa e família em família - sucessos são frequentemente limitados em número, pelo menos nos estágios iniciais. Mas quando sustentados ao longo do tempo, tais esforços podem exercer uma influência significativa na população mais ampla. De fato, pode inspirar multidões a se levantarem em ação, dessa maneira impactando padrões mais amplos de cultura e comportamento. Assim comenta um jovem que trabalha com redes de jovens através do subcontinente indiano:
"Quando jovens se unem e realizam pequenos projetos construtivos para o desenvolvimento de uma comunidade, atraem outras pessoas, pessoas de várias origens diferentes. Dessa maneira, esses pequenos grupos de jovens tornam-se a cola da comunidade. Eles tornam-se o catalisador que inspira adultos a também agirem."
‘COMO LUZ PARA A JUVENTUDE’
CONVICÇÕES QUE SUSTENTAM O COMPROMISSO
“Trabalhar para a mudança pode às vezes ser solitário. A juventude tem recebido muita força ao conectar-se a um núcleo de outros jovens que compartilham convicções semelhantes e estão realizando esforços parecidos. Ter colegas com quem conversar em momentos difíceis e explorar dúvidas comuns lhes tem permitido perceber que não estão sozinhos, e a construir conexões que lhes sustentam em
momentos de necessidade. As reuniões em nossa vizinhança têm tido muitas lágrimas, mas também muitas, muitas alegrias.”
- Um jovem da Austrália, que trabalha com jovens no sistema escolar e em iniciativas comunitárias
O treinamento tem sido fundamental para as iniciativas descritas acima. Tal treinamento pode muito bem incluir elementos de destrezas básicas, capacidades técnicas, ou áreas específicas do conhecimento. Entretanto, inúmeros jovens olham para suas sociedades e, além de desafios econômicos e dificuldades materiais, eles também enxergam os padrões básicos de decência se desvanecendo e a capacidade para o diálogo sincero desaparecendo. Eles veem líderes e instituições de todo tipo desacreditados devido à corrupção e inadequação. Eles veem noções de certo e errado, verdade e falsidade, progressivamente descartadas e consideradas irrelevantes em troca da busca do interesse próprio e da disputa pelo poder. E eles estão convencidos de que nenhuma quantidade de avanço material ou tecnológico irá compensar a ausência de fidedignidade e honestidade, generosidade e camaradagem, compromisso com a verdade e um senso de responsabilidade.
Qualidades de caráter como essas são os blocos de construção de uma ordem social estável. Por esse motivo, a habilidade dos jovens de melhorar as suas comunidades tem sido muito aprimorado por programas que lhes ajudam a aplicar princípios morais e éticos, na ação, tanto para o crescimento pessoal quanto para a transformação social. Participar em capacitações desse tipo tem ajudado os jovens a se protegerem contra forças que manipulariam seu senso de identidade de acordo com os interesses velados de outros: por exemplo, aqueles que lhes definiriam primariamente como consumidores a serem saciados, eleitores a serem persuadidos, ou espectadores a serem entretidos.
Tais programas, de forma semelhante, têm ajudado os jovens a terem e aprofundarem convicções sobre o tipo de indivíduo que eles podem se tornar e o tipo de sociedade que eles podem trazer para a existência - convicções de que um mundo pacífico e justo é possível, por exemplo, que a mudança profunda para o melhoramento da sociedade pode ser conscientemente avançado, que a capacidade de nobreza é inerente ao espírito humano. A aplicação prática de tais ideais é explorada através do estudo de materiais educativos, discussão de conceitos chave, e atos práticos de serviço. A compreensão é refinada através de processos contínuos de consulta, onde aqueles envolvidos podem apresentar pontos de vista diferentes sem cair em animosidade e discordar mas ainda colaborar para encontrar pontos de consenso.
Reconhecer a importância de construir capacidade não é sugerir que os jovens são incapazes ou essencialmente dependentes daqueles que são mais velhos. Muito pelo contrário, os próprios jovens têm, em muitos casos, fornecido a maior porção do apoio descrito acima. Milhares de jovens têm atuado voluntariamente como professores, tutores, facilitadores, mentores, e treinadores - de crianças menores que eles mesmos, colegas da mesma idade, e adultos às
vezes décadas mais velhos. A relação que emerge entre a juventude e o treinamento, portanto, é recíproca. Jovens podem se beneficiar de oportunidades para desenvolver seus talentos e capacidades inatos, assim como sistemas para treinamento frequentemente podem depender fortemente das habilidades, energia e visão da juventude.
Se os objetivos acima parecem, à primeira vista, demasiadamente filosóficos, a experiência tem demonstrado justamente o contrário. Quando apoiados a explorar questões de propósito moral ao longo do tempo e em profundidade, os jovens têm demonstrado uma capacidade muito maior de superar desafios com resiliência, de permanecerem livres de cinismo e amargor diante da adversidade, e de preservarem a esperança e manterem um espírito de alegria mesmo em tempos difíceis. Tais qualidade permitem os jovens a sustentarem esforços para a mudança social, não apenas por um ou dois anos, mas ao longo de uma vida inteira. “Certos conceitos tornam-se como luz para a juventude,” disse um jovem que trabalha com a juventude na República Democrática do Congo:
“A ideia de que você está aqui para um propósito específico, que esse propósito é de se desenvolver e contribuir ao desenvolvimento da sua comunidade - esses princípios tornam-se uma luz que brilha sobre todo aspecto da vida de um jovem. Ajuda-o a navegar a vida e a compreender desafios e condições sociais difíceis.”
ORGANIZANDO OS ASSUNTOS DA HUMANIDADE
A JUVENTUDE E O SISTEMA MULTILATERAL
“Qual é a compreensão da importância do período da juventude na vida da sociedade? Que papéis e responsabilidades únicos eles têm na construção de comunidades vibrantes e socialmente coesas? Quais tipos de espaços comunais e institucionais ajudam os jovens a ombrearem sua porção na transformação da sociedade?”
- Um jovem da Alemanha, refletindo sobre o trabalho com jovens e suas famílias na Europa
Em poucos contextos as contribuições de jovens capazes são mais necessárias do que na organização dos assuntos da humanidade de maneira mais efetiva e coerente a nível internacional. Menos apegados aos sistemas do status quo, para cujo estabelecimento exerceram pouco papel, os jovens tendem a ter mais flexibilidade imaginativa para conceber alternativas às realidades atuais, e a trabalhar para trazê-las à existência. Mas como as Nações Unidas e suas agências associadas podem aproveitar melhor esses pontos fortes?
Essa pergunta é frequentemente respondida no sentido de ampliar vozes e fornecer acesso. Muitos espaços decisórios sem dúvida se beneficiariam de números maiores de jovens. Entretanto, as necessidades do momento não serão atendidas meramente pela introdução de
vozes novas em sistemas “antigos”. Pelo contrário, modelos completamente novos de organização, comunicação e governança são necessários.
Os jovens têm uma capacidade enorme de desenvolver tais modelos, tanto entre eles quanto através de interações com outras gerações. “Não podemos sempre apontar o dedo quando as coisas não estão funcionando bem, ou apenas dar recomendações aos outros,” disse um jovem que está envolvido numa variedade de redes de juventude e coalizões nas Nações Unidas. “Cada um de nós é responsável, em nossas próprias esferas de influência, a realizar uma contribuição que é inclusiva, empoderadora, e unificadora.”
Numerosos jovens no palco internacional são cientes da necessidade e do poder de continuamente refinar seu próprio funcionamento. Numa recente série de encontros para jovens dentro do sistema das Nações Unidas, por exemplo, os próprios jovens atores sociais identificaram a necessidade de estar escutando e aprendendo um do outro e das lições geradas pelas gerações anteriores, assim como promover seus próprios planos e projetos.
Eles notaram a importância de evitar excessos de uma cultura de celebridade, incluindo a preocupação com a visibilidade, seguidores, perfil, e buzz, que tendem a elevar alguns poucos enquanto implicitamente desempodera muitos outros. E eles enfatizaram que espaços focados em jovens devem constantemente incluir novos representantes e vozes, e não permitir que se resuma a um círculo pequeno de “regulares”.
Sem desprezar o impacto significativo que os jovens podem ter através de suas próprias redes, coalizões, e iniciativas, também deve ser reconhecido que organizações e espaços internacionais frequentemente engajam jovens primariamente como ouvintes em vez de protagonistas. Uma reforma significativa desses espaços irá, portanto, necessitar uma parceria daqueles, geralmente em pontos mais avançados da carreira, que ocupam posições de poder e influência.
Várias reformas baseadas em jovens já foram propostas por diversos atores, desde estabelecer uma permanente Comissão da Juventude, ou o aprimoramento da integração de jovens delegados dentro dos processos das Nações Unidas, até a formulação de políticas nacionais de juventude e órgãos consultivos pelos Estados-Membros. Tais propostas são melhor compreendidas não como um fim em si mesmo, mas como um meio para alcançar objetivos mais abrangentes - por exemplo, garantir que os processos de formulação de políticas sejam informados por uma variedade rica e inter-geracional de perspectivas.
O conhecimento e insights, para dar mais um exemplo, precisam ser compartilhados daqueles com mais experiência numa dada área para aqueles com menos. Como pode isso ser realizado, cada vez mais efetivamente, dentro das Nações Unidas? Apoio desse tipo pode muito bem seguir padrões tradicionais de jovens contando com colegas de maior idade com mais experiência. Entretanto, compreensão e idade não estão intrinsecamente conectados. Sistemas de apoio devem, portanto, estar prontos para acomodar casos em que os jovens são os que representam o reservatório de experiência prática, e colegas mais velhos estão em necessidade
de assistência. Em tais casos, esses associados precisariam estar preparados para ouvir, aprender, e crescer à luz de novas realidades, como os próprios jovens são frequentemente exigidos a fazer.
PASSAGEM À MATURIDADE
A JUVENTUDE E O CAMINHO PELA FRENTE
A geração atual de jovens herda um mundo passando por mudança e tumulto de maneiras jamais testemunhadas. A humanidade nunca teve tanto poder para moldar o mundo físico em escalas planetárias, por exemplo, mas a mudança climática, a perda de biodiversidade, e a poluição do meio-ambiente representam ameaças existenciais. Tecnologias digitais estão evoluindo em um ritmo dificilmente imaginado, mesmo nos últimos anos, abrindo vastas possibilidades mas adicionando maior incerteza a um mundo já desestabilizado por grandes desigualdades, polarização crescente, e fragmentação social.
A ordem mundial que surgiu quando as Nações Unidas foram fundadas trouxe grandes avanços, a despeito de suas claras limitações e iniquidades. Aquela ordem, entretanto, está agora vacilando, e necessita ser tanto renovada quanto aprimorada. A turbulência e a comoção da vida contemporânea é indicativa de sistemas e estruturas, herdadas do passado, que têm demonstrado serem insuficientes para abordar as demandas do futuro. A humanidade está, portanto, sendo desafiada a deixar para trás modos e hábitos que já deixaram de atender às suas necessidades e a equipar-se para uma era cujos desafios e oportunidades demandam cada vez mais a sabedoria e a responsabilidade da maturidade.
Em um processo paralelo de chegada à maturidade dos próprios jovens, eles têm um papel crucial a exercer em ajudar a humanidade a navegar essa passagem tumultuosa à maturidade. Os jovens não devem ser mais romantizados do que qualquer outro grupo, e eles estão longe de serem monolíticos. Mas os jovens têm demonstrado repetidamente estarem preparados para assumir uma medida significativa de responsabilidade sobre o bem-estar daqueles ao seu redor e o avanço de suas sociedades. Numerosas forças, destrutivas e que geram distração, podem agir como obstáculos. Mas estes são, no máximo, capazes apenas de obscurecer o potencial fenomenal da juventude, nunca destruí-lo.
As mudanças necessárias para que a humanidade possa avançar ao próximo estágio de seu desenvolvimento são civilizacionais em escala e escopo. Atender às suas demandas exigirá esforços vastos da parte de todo povo e população - a juventude inclusive. Liberar as capacidades plenas de cada geração de jovens, portanto, é uma preocupação urgente para todos. Como irá o período da juventude, transbordando de possibilidades, exercer o seu papel pleno na grande empreitada de criar uma sociedade global em constante evolução? As perspectivas oferecidas acima, adquiridas da experiência de comunidades locais ao redor do mundo, iniciam a esclarecer questões desse tipo. Vamos continuar aprendendo juntos.
“A juventude … é mais uma vez convocada à vanguarda de um movimento cujo objetivo é nada menos que a transformação do mundo.”
- A Casa Universal de Justiça, órgão governante mundial da Fé Bahá’í
