Equality of Women and Men

Liderança para uma Cultura de Igualdade em Tempos de Perigo e de Paz

Liderança para uma Cultura de Igualdade em Tempos de Perigo e de Paz

Uma Declaração da Comunidade Internacional Bahá’í à 65a sessão da Comissão sobre o Status da Mulher

New York—24 February 2021

Diante do cenário de um mundo que está sofrendo profunda mudança, há um crescente reconhecimento do papel indispensável que as mulheres em posições de liderança desempenham. No início da pandemia do coronavírus, observou-se que nações em que mulheres contribuíram de forma mais proeminente na liderança da sociedade geraram um grau de estabilidade em uma diversidade de indicadores de curto prazo, incluindo saúde pública e segurança econômica. No âmbito de comunidade, as mulheres continuam a desempenhar um papel indispensável — e frequentemente lideram — no cuidado com os doentes, educação dos jovens, atendimento aos necessitados e sustentando a estrutura social e econômica de maneira geral. Nunca esteve tão claro o quanto a humanidade se beneficia quando adota e promove a liderança de mulheres em todos os níveis da sociedade, seja na família ou no povoado, na comunidade ou no governo local, na empresa ou na nação. Alcançar a plena medida dessa capacidade para enfrentar os desafios contemporâneos exigirá o movimento de pelo menos duas frontes: aumentar a presença das mulheres nos papéis de liderança e nos assuntos da sociedade, e aplicar mais ampla e consistentemente as qualidades que elas tendem a empregar no processo de resolução de problemas e de tomada de decisões.

Qualquer consideração quanto à participação de mulheres na vida pública inclui uma reavaliação dos modelos de liderança. Momentos de perigo intenso na vida da humanidade requerem líderes com mente bem treinada, capazes de se valer do poder da ciência, bem como de princípios morais e éticos, e que consultem diversos grupos representativos de pessoas experientes em áreas pertinentes. Essas lideranças harmonizariam diferentes vozes e promoveriam um senso de empreendimento comum. Resistindo à sedução de poder, elas seriam caracterizadas por integridade, credibilidade e firme adesão à ação baseada em princípios.

Naturalmente, esses atributos podem se manifestar em líderes, independentemente do sexo, e políticas feministas e de igualdade de gênero podem produzir resultados benéficos, não importa quem as promova. No entanto, está se tornando claro que o aumento da participação de mulheres na vida da sociedade fortalece essas qualidades como um aspecto da cultura de liderança — e não apenas como características pessoais de cada líder. Qualidades de liderança frequentemente associadas à masculinidade — assertividade, determinação e competitividade, por exemplo — têm se mostrado limitadas ou contraproducentes quando não temperadas com outros atributos tradicionalmente associados à feminilidade, tais como compaixão, humildade e uma tendência à colaboração e inclusão. Os líderes mais eficazes promovem um ambiente em que indivíduos e comunidades são capazes de transcender diferenças de mentalidade, encontram pontos de consenso mesmo em situações mais desconcertantes e desafiadoras, e desenvolvem essas qualidades paciente e deliberadamente, preservando sempre os padrões de justiça. As perspectivas e experiências específicas das mulheres — incluindo a tendência comum de priorizar o bem-estar de crianças e famílias, ou de dar maior relevância ao impacto humano das políticas — capacita-as a fazer contribuições decisivas para a construção de tal liderança ética.

Avanços em aspectos mais visíveis de liderança, tais como mulheres que detêm posições de alto escalão em governos, mundo acadêmico ou empresas, bem como em outros espaços de tomada de decisão, tais como família ou comunidade, devem ser acompanhados por desenvolvimento comensurável no âmbito de cultura. Transformação duradoura exigirá a dedicação da sociedade inteira à igualdade de gênero e um comprometimento com a construção de uma vida pública modelada por mulheres e homens em parceria dinâmica e equitativa, em todas as esferas da sociedade e em todas as facetas da vida. Por esta razão, o trabalho do avanço da igualdade de gênero deve avançar no contexto local tanto quanto no internacional. Organizar processos de tomada de decisão em torno da busca de entendimento coletivo, buscar uma diversidade de perspectivas em busca de novas percepções sobre questões complexas, tomar medidas que ajudem uma variedade de partes interessadas a assumirem um papel mais ativo na vida pública—promover abordagens e valores como esses em vizinhanças e povoados contribui para o ambiente através do qual barreiras formais e institucionais, tais como leis discriminatórias e acesso desigual à educação, possam ser eliminadas.

De igual importância, o processo de construir padrões de igualdade de gênero na própria vida comunitária provê oportunidades para as mulheres desenvolverem habilidades e experiência de liderança, participarem de corpos decisórios e assumirem um papel bem mais ativo e visível na vida pública. Trabalhar para formar um novo conceito de sistemas e estruturas à luz das qualidades necessárias associadas ao feminino, especialmente em âmbito local, proporcionará às mulheres e homens, igualmente, oportunidades para aprender a superar barreiras à participação de mulheres, tais como intimidação em espaços de maioria masculina ou modelos que regulam as contribuições das mulheres no contexto do lar — barreiras, em última análise, para boa governança e paz duradoura. O impacto sobre homens e meninos pode ser igualmente significativo. Prover oportunidades, desde os primeiros anos de vida, para que meninos vejam meninas como iguais e mulheres como líderes levará a uma cultura de colaboração e sustentará a aprendizagem necessária para expressões permanentes e crescentes de igualdade. E, além de esforços conscientes para superar tais obstáculos, maiores graus de integração devem vir da percepção de que impedir a participação de mulheres em todos os níveis da sociedade priva a humanidade do potencial máximo que advém da diversidade de perspectivas na tomada de decisão.

Estabelecer relações justas em todos os níveis da sociedade pode tomar uma variedade de formas, envolvendo numerosos atores, e a plena participação das mulheres em todos esses espaços sem dúvida se mostrará indispensável para a construção de padrões equitativos de vida. De sua parte, a comunidade mundial bahá’í está explorando o papel que a aplicação de princípios espirituais à vida da sociedade pode desempenhar na eliminação de preconceitos de sexo e gênero. Nesse sentido, é central o conceito de construção de capacidade — de aprimorar a habilidade de mulheres e homens, de meninas e meninos igualmente, de defenderem e aplicarem o princípio de igualdade de gênero, em todos os tipos de circunstâncias e situações, para o aperfeiçoamento de todos. Através de programas educacionais que visam eliminar barreiras de preconceitos, infundindo atitudes de unidade e companheirismo, as crianças são nutridas desde tenra idade a caminhar lado a lado com diversos atores no serviço às suas sociedades. Reuniões simples para vizinhos orarem e discutirem as implicações de ideais religiosos, muitas vezes realizadas nas casas dos participantes, também se tornaram um espaço para se desprender de restrições de gênero de longa data. A diretora de uma escola de ensino fundamental em um vilarejo na Índia, por exemplo, notou que reuniões devocionais, maneira como esses encontros são frequentemente chamados, são uma das poucas atividades nas quais a possibilidade das mulheres saírem de casa encontrou aceitação na comunidade e um sistema há muito consagrado, que exige que as mulheres fiquem reclusas e isoladas, está começando a ceder. “Este sistema [cultural] não é mais importante do que a educação das crianças. Ou deixar as mulheres saírem de casa. Ou consultar entre si”, ela diz. “O fato de sermos capazes de consultar umas com as outras, de nos comunicar com outras pessoas e resolver problemas em conjunto, tornou-se um aspecto importante de nossas vidas.”

No decorrer da história, quando espaços tradicionalmente confinados a homens foram abertos a mulheres, isto ocorreu frequentemente em contextos de guerra, revolução e colapso. É verdade que em tempos de crise, desde dificuldades locais até calamidades nacionais, mulheres têm demonstrado repetidamente sua capacidade e resiliência. No entanto, muito frequentemente as mulheres são relegadas de volta aos confins do lar pelas forças da sociedade quando há o aparente retorno de paz e tranquilidade. Esse é um padrão que deve ser superado. Não se pode encontrar qualquer justificativa racional, de qualquer espécie, para a privação dos diversos benefícios que as mulheres trazem para a tarefa de ordenar os assuntos da sociedade. Portanto, uma questão de importância central que se apresenta a esta Comissão e ao sistema internacional como um todo é o modo como as capacidades das mulheres podem ser incorporadas e integradas tanto em tempos de paz como de tumulto, nas rotinas do dia-a-dia, bem como em ocasiões excepcionais.

Talvez, nunca antes, os laços que unem os povos do mundo tenham estado tão claros. O reconhecimento dessa interconexão deve ser combinado com determinação em utilizar a capacidade da humanidade na sua totalidade e na sua copiosa diversidade. Nenhuma consideração séria dos próximos passos de desenvolvimento da humanidade pode ignorar a necessidade de expandir a plena e efetiva participação das mulheres na tomada de decisão e na vida pública. Somente na medida em que se der plena expressão a essas habilidades é que as comunidades e sociedades terão a gama de ferramentas necessárias para abordar os muitos desafios com os quais a humanidade se defronta.

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: New York City

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: New York City

Behind the twinkling lights and soaring towers of New York City is a local community rich and vibrant in its diversity. Like any locality, relationships between women and men there take a variety of forms, some more constructive than others. But growing numbers, including young parents just beginning their families, are thinking deeply about how the equality of women and men can find greater expression with each successive generation.  

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: Mwinilunga, Zambia

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: Mwinilunga, Zambia

The path towards a more gender-equal society can take many forms. In the red-earth environs of Mwinilunga, a town in the northwest corner of Zambia, that path has centered on the spiritual empowerment of young adolescents. 

“With the arrival of the junior youth program, parents began to see that whatever the boys could do, the girls could also do,” says Teckson, coordinator of an initiative called the junior youth spiritual empowerment program. “They began to question themselves about what was said to be only for boys or only for girls.”

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: Kejau, Malaysia

Glimpses into the Spirit of Gender Equality: Kejau, Malaysia

Perched astride a mountaintop in the main range of Peninsular Malaysia, the village of Kejau is an hour’s motorcycle ride from the nearest town and an hour’s walk from the closest government primary school. Access to educational institutions has long been challenging. Yet a local process of education, spiritual and moral as much as intellectual and academic, is fueling widespread movement among its residents toward greater expressions of the equality of women and men. 

Developing New Dynamics of Power to Transform the Structures of Society

Developing New Dynamics of Power to Transform the Structures of Society

Statement to the 64th Commission on the Status of Women

UN Document: (E/CN.6/2020/NGO/1)

New York—21 February 2020

The twenty-fifth anniversary of the Beijing Declaration and Platform for Action provides a special opportunity to analyse social structures and power dynamics that are hindering the full expression of gender equality. Undoubtedly, there has been considerable progress in many areas, including the advancement of women’s rights in legal and policy frameworks, and in broadening girls’ access to education in most countries. Perhaps one of the greatest milestones passed has been in the near-universal acknowledgement that women and men are equal. Nevertheless, while the ideal of equality is generally acknowledged, its expression in all facets of life is far from realized. Indeed, a number of recent setbacks around the world with respect to securing previous gains demonstrate the vulnerability of efforts that employ the adversarial methods of the very structures that impede the advancement of women. A deep examination of the current ordering of society is required in order to identify obstacles hindering equality and opportunities for its flourishing. Ultimately, restructuring society based on ideals of oneness, unity and justice is necessary to fully establish gender equality.  

When viewed in its broader context, the discrimination against women is one of several symptoms of an ailing social order. Dynamics of domination and opposition have come to define many human relationships, including those between women and men. Efforts to achieve gender equality are frequently framed as battles for power. In its contentious expression, power generates inequality, violence, and exploitation, and cannot easily be oriented to the common or interpersonal good. In a system that is set up like a zero-sum game, it may make sense to fight for access to limited resources and for positions of privilege. Yet, is a zero-sum paradigm the pinnacle of social organization? Can systems and structures be created that allow all people to thrive concurrently? What expressions of power would give rise to such systems and structures?

The Baha’i teachings affirm that all human beings have been created to carry forward an ever-advancing civilization and that each human being has a set of sacred endowments—including consciousness, a heart, and a soul—that allow them to do so. The soul has no gender; biases against women have no foundation in spiritual reality. Humanity as a whole has suffered tremendously by being deprived of the participation of women in every arena of civilization. By working together as partners and co-workers, women and men can learn how to draw on constructive expressions of power that will capacitate their efforts to build a fair and equal society. A generative, constructive form of power that involves tapping into the powers of the human spirit and of the collective would enable the reconstruction of social structures for the benefit of all humanity. It would allow for the upliftment of one to contribute to the upliftment of all, and for the well-being of the collective to ensure the well-being of the individual. It is critical that just and cooperative patterns of relationship be established among individuals, groups, and communities, and between individuals and the institutions of society. 

Education is one of the essential solutions that will enable the establishment of patterns of relationship that are commensurate with humanity’s needs. Some educational models indoctrinate children into the harmful norms and logic of existing systems. Naturally, this is not the kind of education being referred to. The United Nations and Member States should invest in educational processes that give attention to developing both the intellectual and spiritual powers of human beings. These models should promote the oneness of humanity and the equality of women and men. They should assist children to develop a genuine love for all human beings; an orientation to service that will help them address challenges over time with patience and steadfastness; a vision of the future that will motivate them to work towards the transformation of harmful customs and values in their local communities that obstruct progress; and an attitude of humility that will enable them to be open to the perspectives of others and free from rigid attachment to their own views and approaches. They should have numerous opportunities to engage in collective, consultative spaces where they can investigate reality dispassionately with their fellow community members, and consider practical ways to improve their localities and environment. 

The Role of the United Nations in Releasing the Collective Powers of Humankind

Since the fourth world congress on women in 1995, the discourse on advancing gender equality at the United Nations has centered largely on expanding access to power within current, imbalanced structures. This process has failed to fully address inequalities that have been perpetuated and reinforced across generations. Those who are most favored by the current ordering of society may be reluctant to work for the total transformation of a system they perceive to be of value. Therefore, it will be imperative to create spaces and opportunities for the peoples of the world to participate in processes of social change at every level of society. Many of the populations whose contributions have been overlooked believe in a spiritual dimension of existence, and seek moral solutions to crises of corruption, greed and oppression. The move away from ethics and morality has exacerbated social ills, and has slowed the progress which could be made by harnessing both spiritual and material sources of power. The idea that equality can be established solely through material means, and that its expression is to be found in purely material indicators, is one that many are questioning. While material resources may be limited, many non-material resources are limitless and accessible to all. These include creativity and imagination, consultation and volition, discernment and insight, and the power of unified and concerted action. The discourse on gender equality at the United Nations would be strengthened by creating structures that are more inclusive, based on mutual exchange and learning, and that nurture and channel the powers of the human spirit. 

The successful implementation of the goals and frameworks agreed upon at the United Nations is only possible through local action. If communities are the primary arena for action, community members cannot be excluded from decision-making processes regarding their own well-being. It is particularly critical that women have a key voice in determining the process for advancing equality in their societies. Men should welcome and anxiously seek out the contributions of women, recognizing that the welfare of humankind depends on their full participation. It is crucial that women be fully involved in the spaces and processes where decisions are made about the well-being of nations, peoples, and communities. This requires, at all levels of governance, a bold shift in vision and outlook that is grounded in a firm conviction that the well-being of all people can only be secured through unwavering commitment of world leaders to the betterment of humanity as a whole. Lasting gender equality can only come about by building on existing strengths, while abandoning the outmoded beliefs, cultural norms, and practices that have not served humanity’s best interests.

What beliefs, norms, and practices will the United Nations, governments, and civil society need to adopt over the next twenty-five years to establish gender equality more fully? If the current adversarial expressions of power have ceased to be useful, how can we ensure that our means are consistent with our desired ends? Ultimately, we are seeking a healthy world that is just, diverse yet unified, and that provides opportunities for all of its inhabitants to grow and prosper. Such a world can only come into existence if women work alongside men to bring it about.

Sviluppare nuove dinamiche di potere per trasformare le strutture della società

Sviluppare nuove dinamiche di potere per trasformare le strutture della società

Dichiarazione alla 64ª Commissione sullo status delle donne

New York—21 February 2020

Dopo la Quarta Conferenza mondiale sulle donne, è il venticinquesimo anniversario della Dichiarazione e della Piattaforma d'azione di Pechino che offre un'occasione speciale per analizzare le strutture sociali e le dinamiche di potere che ostacolano la piena espressione della parità di genere. Indubbiamente, nella maggior parte dei Paesi sono stati fatti notevoli passi avanti in molti settori, come per esempio il progresso dei diritti delle donne nei quadri giuridici e politici e l'estensione dell'accesso delle ragazze all'istruzione. Forse una delle più importanti pietre miliari raggiunte è stato il riconoscimento quasi universale dell’uguaglianza tra donne e uomini. Tuttavia, seppure l'ideale dell'uguaglianza sia generalmente riconosciuto, è ben lungi dall’essere realizzato in ogni aspetto della vita. In effetti, il consolidamento delle conquiste già ottenute ha recentemente subito una serie di battute d'arresto in tutto il mondo, a dimostrazione della vulnerabilità delle iniziative che ricorrono ai metodi contraddittori propri delle stesse strutture ostacolanti il progresso delle donne. È necessaria una disamina approfondita dell'attuale assetto della società al fine di individuare gli impedimenti che si frappongono all'uguaglianza e alle opportunità per la sua prosperità. In definitiva, per il pieno conseguimento della parità di genere, è necessaria una riconversione della società basata su ideali di unità, concordia e giustizia.
 

"In definitiva, per il pieno conseguimento della parità di genere, è necessaria una riconversione della società basata su ideali di unità, concordia e giustizia".
 

Se inquadrata in un contesto più ampio, la discriminazione della donna è uno dei molteplici sintomi di un ordine sociale malato. Le dinamiche della dominazione e della contrapposizione sono arrivate a definire molte relazioni umane, comprese quelle tra donne e uomini. L’impegno profuso per conseguire la parità di genere viene spesso classificato come lotta per il potere. Nella sua forma conflittuale,

"Il genere umano nel suo insieme ha sofferto terribilmente per essere stato privato della partecipazione delle donne sulla scacchiera della civiltà".
 

il potere genera disuguaglianza, violenza e sfruttamento e non può essere facilmente orientato verso il bene comune o interpersonale. In un sistema congegnato come un gioco a somma zero, può essere giustificata la lotta per l'accesso a risorse limitate e per posizioni di privilegio. Ma il paradigma a somma zero è l'apice dell'organizzazione sociale? È possibile creare sistemi e strutture che permettano a tutti di prosperare contemporaneamente? Quali espressioni di potere darebbero origine a sistemi e strutture di questo tipo?

Gli insegnamenti bahá'í sostengono che tutti gli esseri umani sono stati creati per portare avanti una civiltà in continuo progresso e che ogni essere umano possiede una serie di doti sacre, come la coscienza, il cuore e l'anima, che gli permettono di farlo. L'anima non ha genere e quindi i pregiudizi contro le donne non hanno alcun fondamento nella realtà spirituale. Il genere umano nel suo insieme ha sofferto terribilmente per essere stato privato della partecipazione delle donne sulla scacchiera della civiltà. Lavorando insieme come partner e collaboratori, donne e uomini possono imparare a ispirarsi a espressioni costruttive del potere che rafforzino il loro impegno volto alla costruzione di una società giusta ed equa. La ricostruzione delle strutture sociali a beneficio di tutto il genere umano verrebbe resa possibile da una forma generativa e costruttiva di potere che implica il ricorso alle capacità dello spirito umano e della collettività. In questo modo, il miglioramento del singolo contribuirebbe al miglioramento di tutti e il benessere della collettività assicurerebbe il benessere della singola persona. È fondamentale che si stabiliscano modelli di relazione giusti e cooperativi tra le persone, i gruppi e le comunità, e tra le persone e le istituzioni della società.

L'educazione è una delle soluzioni essenziali che consentirà la definizione di modelli di relazione commisurati ai bisogni dell'umanità. Alcuni modelli educativi inculcano nei bambini le norme e le logiche deleterie dei sistemi esistenti. Non è questo, naturalmente, il tipo di educazione a cui ci si riferisce. È necessario che le Nazioni Unite e gli Stati membri investano in processi educativi che tengano conto dello sviluppo delle capacità intellettuali e spirituali degli esseri umani. Questi modelli devono promuovere l’unità del genere umano e l'uguaglianza tra donne e uomini. Devono pure

"La ricostruzione delle strutture sociali a beneficio di tutto il  genere umano verrebbe resa possibile da una forma generativa e costruttiva di potere che implica il ricorso alle capacità dello spirito umano e della collettività".

aiutare i bambini a sviluppare un amore sincero verso tutti gli esseri umani, un orientamento al servizio che li agevolerà nel tempo ad affrontare le sfide con pazienza e risolutezza, una visione del futuro che li motiverà a lavorare nelle loro comunità locali per la trasformazione di costumi e valori malsani che ostacolano il progresso, e un atteggiamento di umiltà che permetterà loro di essere aperti nei confronti degli altrui punti di vista e liberi da un rigido attaccamento alle proprie opinioni e ai propri metodi. Devono avere a disposizione svariate opportunità per impegnarsi in spazi collettivi e consultivi nei quali possano esaminare la realtà in modo obiettivo insieme con i loro compagni di comunità e prendere in considerazione modi concreti per migliorare le loro località e il loro ambiente. 

Il ruolo delle Nazioni Unite nel valorizzare i poteri collettivi dell'umanità

Dalla Quarta Conferenza mondiale sulle Donne del 1995, il discorso in sede ONU sulla promozione della parità di genere si è concentrato in gran parte sull'espansione dell'accesso al potere all'interno delle attuali strutture squilibrate. Questo processo non è riuscito ad appianare completamente disuguaglianze che si sono tramandate e rafforzate di generazione in generazione. Coloro che sono maggiormente favoriti dall'attuale assetto della società possono mostrarsi riluttanti a lavorare per la trasformazione totale di un sistema che percepiscono come un valore. Pertanto, diventa indispensabile creare spazi e opportunità che consentano ai popoli del mondo di partecipare ai processi di cambiamento sociale a ogni livello della società.

Molte delle popolazioni il cui contributo è stato sottovalutato credono in una dimensione spirituale dell'esistenza e cercano soluzioni morali alle crisi di corruzione, avidità e oppressione. L'allontanamento dall'etica e dalla morale ha esacerbato i mali sociali e ha rallentato i progressi che si potrebbero realizzare sfruttando al contempo poteri spirituali e materiali. Un'idea che molti stanno mettendo in discussione è che l'uguaglianza possa essere stabilita solo attraverso mezzi materiali e che la sua espressione sia da ricercare in indicatori puramente materiali. 

Mentre le risorse materiali possono essere limitate, molte risorse immateriali sono illimitate e accessibili a tutti. Tra queste rientrano la creatività e l'immaginazione, la consultazione e la volontà, il discernimento e l'intuizione, e il potere dell'azione unitaria e concertata. Alle Nazioni Unite, il discorso sulla parità di genere verrebbe rafforzato dalla creazione di strutture più inclusive, basate su scambio e apprendimento reciproci, che alimentino e facciano confluire i poteri dello spirito umano.

 

"Alle Nazioni Unite, il discorso sulla parità di genere verrebbe rafforzato dalla creazione di strutture più inclusive, basate su scambio e apprendimento reciproci, che alimentino e facciano confluire i poteri dello spirito umano".

 

Un’efficace realizzazione degli obiettivi e delle strutture concordati in seno alle Nazioni Unite è possibile solo attraverso l'azione locale. Se le comunità costituiscono lo scenario primario per l'azione, i membri della comunità non possono essere esclusi dai processi decisionali che riguardano il loro stesso benessere. È fondamentale che le donne abbiano voce in capitolo nel determinare il processo di sviluppo della parità nelle loro società. Gli uomini devono sempre accogliere il parere delle donne e non tralasciare di chiederlo, riconoscendo che il benessere dell'umanità dipende dalla loro piena partecipazione. È indispensabile che le donne siano pienamente coinvolte negli spazi e nei processi in cui si prendono le decisioni sul benessere delle nazioni, delle genti e delle comunità. Per questo occorre, a qualsiasi livello di governance, un audace cambiamento di visione e di prospettiva fondato sulla ferma convinzione che il benessere di tutti può essere garantito solo attraverso l'indefettibile impegno dei leader mondiali per il miglioramento dell'umanità nel suo insieme. Una parità di genere duratura si può realizzare solo facendo leva sui punti di forza esistenti e rifuggendo dalle credenze, dalle norme culturali e dalle usanze obsolete che non hanno giovato ai migliori interessi dell'umanità.

"Una parità di genere duratura si può realizzare solo facendo leva sui punti di forza esistenti e rifuggendo dalle credenze, dalle norme culturali e dalle usanze obsolete che non hanno giovato ai migliori interessi dell’umanità”

Quali sono le credenze, le norme e le usanze che le Nazioni Unite, i governi e la società civile dovranno adottare nei prossimi venticinque anni per stabilire una più sostanziale parità di genere? Se le attuali espressioni conflittuali del potere hanno esaurito la loro utilità, come possiamo essere sicuri che gli strumenti in nostro possesso siano coerenti con le finalità cui miriamo? In definitiva, aspiriamo a un mondo sano, giusto, diversificato ma unito, e che offra a tutti i suoi abitanti opportunità di crescita e di prosperità. La realizzazione di un mondo siffatto è possibile solo se le donne lavorano a questo scopo a fianco degli uomini.

Toplumsal Yapıları Dönüşüme Uğratmak için Yeni Güç Dinamikleri Geliştirmek

Toplumsal Yapıları Dönüşüme Uğratmak için Yeni Güç Dinamikleri Geliştirmek

Kadının Statüsü Komisyonu’nun 64. Oturumuna Sunulan Bildiri

New York—21 February 2020

Pekin Deklarasyonu ve Eylem Platformunun yirmi beşinci yıldönümü, cinsiyet eşitliğinin tam olarak ifade edilmesini engelleyen toplumsal yapıları ve güç dinamiklerini analiz etmek için özel bir fırsat sunmaktadır. Hiç şüphesiz, kadın haklarının yasal ve ilkesel çerçevelerdeki gelişimi ve birçok ülkede kız çocuklarının eğitime erişiminin yaygınlaştırılması da dâhil olmak üzere, birçok alanda önemli gelişmeler kaydedilmiştir. Aşılan kilometre taşlarının belki de en önemlisi, kadınlarla erkeklerin eşit olduğunun hemen hemen tüm dünyada kabulünde kendini göstermiştir. Ancak eşitlik ideali genel olarak kabul edilmekte ise de, bu idealin yaşamın bütün yönlerinde ifade edilmesi, gerçekleşmekten oldukça uzaktır. Gerçekten de, önceki kazanımların güvenceye alınması konusunda dünyanın çeşitli bölgelerinde yakın geçmişte yaşanan bazı gerilemeler, kadınların ilerlemesini engelleyen yapıların çekişmeci yöntemlerini benimseyen çabaların kırılganlığını ortaya koymaktadır. Eşitliğin önündeki engelleri ve eşitliğin gelişmesini sağlayacak fırsatları belirleyebilmek için, toplumun mevcut düzenlenişinin derinden incelenmesi gerekmektedir. Sonuçta, cinsiyet eşitliğinin tam olarak sağlanabilmesi için, toplumun teklik, birlik ve adalet ilkelerine göre yeniden yapılandırılması şarttır.

Daha geniş bağlamından bakıldığında, kadınlara karşı yapılan ayırım hastalıklı bir toplumsal düzenin birçok belirtilerinden biridir. Tahakküm ve muhalefet dinamikleri kadın ve erkek arasındaki ilişkiler de dâhil olmak üzere, çoğu insan ilişkilerini tanımlar hale gelmiştir. Cinsiyet eşitliğine ulaşma çabaları genellikle güç mücadelesiymiş gibi yansıtılmaktadır. Güç, çekişmeli bir şekilde ifade edildiğinde, eşitsizlik, şiddet ve sömürü yaratır ve ortak yarara veya kişiler arası yarara kolaylıkla yöneltilemez. Sıfır toplamlı bir oyun olarak kurulmuş bir sistemde, sınırlı kaynaklara erişmek ve ayrıcalıklı pozisyonlara ulaşmak için kavga etmek mantıklı gelebilir. Ancak, toplumsal düzenin ulaşabileceği en üst nokta sıfır toplam paradigması mıdır? Bütün insanların aynı anda ilerleyip gelişmesine imkân veren sistemler ve yapılar yaratılabilir mi? Gücün hangi ifadeleri bu tür sistemleri ve yapıları meydana getirebilir?

Bahai öğretileri tüm insanların sürekli ilerlemekte olan bir medeniyeti daha da ileri taşımak için yaratıldıklarını ve her insanın bunu yapabilmesini sağlayacak bir dizi kutsal donanıma —bilinç, bir kalp ve bir ruh dâhil olmak üzere— sahip olduğunu tasdik etmektedir. Ruhun cinsiyeti yoktur; kadınlara karşı olan önyargıların ruhani gerçeklikte herhangi bir temeli yoktur. İnsanlık bir bütün olarak, kadınların medeniyetin her alanına katılmaktan mahrum edilmesi yüzünden son derece büyük acılar çekmiştir. Kadınlar ve erkekler, birbirinin ortakları ve meslektaşları olarak birlikte çalışmak yoluyla gücün, adil ve eşit bir toplum kurma çabalarına olanak sağlayacak türde yapıcı ifadelerinden nasıl yararlanabileceklerini öğrenebilirler. Gücün, insan ruhunun ve kolektifliğin güçlerinden yararlanmayı içeren yaratıcı ve yapıcı bir biçimi, tüm insanlığın çıkarlarını gözetecek toplumsal yapıların yeniden inşa edilmesini mümkün kılacaktır. Gücün böylesi bir biçimi, genelin kalkınmasına katkıda bulunabilmesi için bireyin kalkınmasına ve bireyin refahının sağlanabilmesi için genelin refahına fırsat tanıyacaktır. Bireyler, gruplar ve toplumlar arasında ve bireylerle toplumun kurumları arasında adil ve işbirliğine dayalı ilişki modellerinin oluşturulması son derece önemlidir.

Eğitim, insanlığın ihtiyaçlarıyla orantılı ilişki modellerinin kurulmasını mümkün kılacak temel çözümlerden biridir. Bazı eğitim modelleri çocuklara, mevcut sistemlerin zararlı normlarını ve mantığını aşılamaktadır. Doğal olarak bu, kastedilmekte olan eğitim türü değildir. Birleşmiş Milletler ve Üye Ülkeler, insanların hem zihinsel hem de ruhani güçlerini geliştirmeye özen gösteren eğitim süreçlerine yatırım yapmalıdır. Bu modeller insanlığın birliğini ve kadın erkek eşitliğini yayıp ilerletmelidir. Bu eğitim modelleri, çocukların tüm insanlara karşı içten bir sevgi; karşılarına çıkacak sorunların üstesinden zaman içinde sabır ve sebatla gelmelerine yardım edecek bir hizmet anlayışı; yerel toplumlarında var olan ve gelişimi engelleyen zararlı geleneklerin ve değerlerin dönüşümü yönünde çalışmak için harekete geçirecek türde bir gelecek vizyonu ve başka insanların bakış açılarına açık olmalarını ve kendi görüşlerine ve yaklaşımlarına katı bir şekilde bağlanmamalarını sağlayacak bir alçakgönüllülük tavrı geliştirmelerine yardım etmelidir. Çocuklara, toplumlarının diğer üyeleriyle birlikte gerçeği tarafsızca araştırabilecekleri ve kendi toplumlarının ve çevrelerinin koşullarını iyileştirecek pratik çözümler arayabilecekleri, meşverete dayalı kolektif ortamlara katılabilmeleri için birçok fırsatlar sunulmalıdır.

İnsanlığın Kolektif Güçlerinin Serbest Bırakılmasında Birleşmiş Milletlerin Rolü

1995’teki dördüncü dünya kadın kongresinden beri cinsiyet eşitliğinin ilerletilmesiyle ilgili Birleşmiş Milletlerdeki diskur çoğunlukla mevcut dengesiz yapılar içinde güce erişimin genişletilmesine odaklanmıştır. Bu süreç kuşaklar boyunca sürdürülerek pekiştirilen eşitsizlikleri tam olarak gidermekte başarısız olmuştur. Mevcut toplumsal düzenden en çok yararlananlar, değerli olduğuna inandıkları bir sistemi tamamen değiştirmek için çalışmakta isteksiz olabilirler. Bu nedenle, tüm insanlar için, toplumsal değişim süreçlerine toplumun her düzeyinde katılabilmelerini sağlayacak ortamların ve fırsatların yaratılması şarttır. Yaptıkları katkılar göz ardı edilmiş olan insan gruplarının çoğu varoluşun ruhani bir boyutuna inanmakta ve yolsuzluk, açgözlülük ve zulüm krizlerine ahlaki çözümler aramaktadır. Etikten ve ahlaktan uzaklaşılması toplumsal hastalıkları ağırlaştırmış ve gücün hem ruhani hem de maddi kaynaklarından yararlanılması durumunda sağlanabilecek olan ilerlemeyi yavaşlatmıştır. Eşitliğin sadece maddi araçlarla sağlanabileceği ve yalnızca maddi göstergelerle ifade edilebileceği düşüncesi, birçok insanın sorguladığı bir fikirdir. Maddi kaynaklar sınırlı olabilir, ama maddi olmayan kaynaklar hem sınırsızdır hem de herkese açıktır. Bunların arasında yaratıcılık ve hayal gücü, meşveret ve irade, sezgi ve içgörü ile birleşik ve uyumlu eylemin gücü sayılabilir. Birleşmiş Milletlerdeki cinsiyet eşitliği diskuru, karşılıklı fikir alışverişi ve öğrenmeye dayanan ve insan ruhunun güçlerini besleyip kanalize eden daha katılımcı yapıların yaratılmasıyla güçlendirilmiş olacaktır.

Birleşmiş Milletlerde kararlaştırılan hedeflerin ve çerçevelerin başarıyla uygulanması sadece yerel eylem sayesinde mümkündür. Eğer eylemin birincil alanı yerel toplumlar ise, toplum üyeleri kendi refah ve esenlikleriyle ilgili karar verme süreçlerinin dışında bırakılamazlar. Kendi toplumlarında eşitliğin ilerletilmesi sürecinin belirlenmesinde kadınların kilit bir söz hakkına sahip olmaları özellikle çok önemlidir. Erkekler, insanlığın refahının kadınların tam katılımına bağlı olduğunu kabul ederek, kadınların katkılarını memnuniyetle karşılamalı ve hatta özellikle talep etmelidirler. Ulusların, halkların ve toplumların esenlikleriyle ilgili kararların verildiği ortamlara ve süreçlere kadınların tam anlamıyla katılmaları şarttır. Bu, yönetimin her düzeyindeki vizyonlarda ve bakış açılarında, bütün insanların esenliğinin ancak ve ancak dünya liderlerinin insanlığın bir bütün olarak iyileştirilmesine sarsılmaz bir şekilde taahhüt vermeleriyle sağlanabileceğine dair sağlam bir inançtan güç alan, temel bir değişim gerektirmektedir. Kalıcı cinsiyet eşitliği ancak, insanlığın çıkarlarına hizmet etmeyen modası geçmiş inançların, kültürel normların ve uygulamaların terk edilmesiyle ve var olan güçlerin üzerine inşa edilerek sağlanabilir.

Cinsiyet eşitliğini daha güçlü bir şekilde tesis etmek için, Birleşmiş Milletlerin, hükümetlerin ve sivil toplumun önümüzdeki yirmi beş yıl içinde ne gibi inançlar, normlar ve uygulamalar benimsemesi gerekecektir? Gücün mevcut çekişmeci ifadeleri artık bir işe yaramıyorsa, kullandığımız araçların varmak istediğimiz sonuçlarla tutarlı olmasını nasıl sağlayabiliriz? Nihayetinde adil, çeşitliliğe sahip ama birleşmiş, aynı zamanda bütün sakinlerine büyüme ve gelişme fırsatları sağlayan sağlıklı bir dünya istiyoruz. Böyle bir dünya ancak kadınlar erkeklerle bunun mümkün olması için omuz omuza çalıştığı takdirde meydana gelebilir.


İngilizce orijinalinden tercüme edilmiştir.

 

BIC offers fresh perspective at UN’s largest gathering on gender equality

BIC offers fresh perspective at UN’s largest gathering on gender equality

More than 9,000 people gathered in New York for the largest UN conference on gender equality and women’s empowerment from 11-22 March.

The Commission on the Status of Women (CSW) brought together Member States, UN officials and civil society members around the theme of social protection systems, access to public services and sustainable infrastructure for gender equality, and the empowerment of women and girls.

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